O Incomodo do Monopólio
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| Imagem criada por IA, pensada por um humano e dentro da proposta do texto apresentado. |
A meu ver, o que realmente assusta o sistema é que, hoje, criadores e canais alcançam relevância e receita sem depender da alavanca tradicional dos processos viciados da grande mídia. É a consolidação da desintermediação de conteúdo, mesmo que existam esforços para essa centralização acontecer de forma velada através de terceiros em empresas "independentes" de mídia.
Quer um exemplo prático? Por décadas, a Fórmula 1 foi gerida por Bernie Ecclestone sob um modelo analógico, engessado e focado exclusivamente em contratos bilionários de TV aberta, o que quase faliu a categoria em termos de renovação de público. A virada de chave veio com a aquisição pela Liberty Media, que reestruturou o produto focando no streaming (F1 TV) e no entretenimento multiplataforma (como a série Drive to Survive da Netflix, muito boa por sinal).
Quando a transmissão brasileira saiu do formato restrito da Rede Globo e migrou para a Band, houve um boom. A categoria foi tratada com o valor que merecia, já que na grade da Band o automobilismo não precisava disputar espaço ou ser encurtado por causa de novelas ou programas sem graça. O resultado foi um crescimento exponencial de marcas licenciadas sendo vendidas no Brasil. Curiosamente, após o retorno dos direitos de transmissão para a Globo, o mercado já começa a dar sinais de redução e produtos colecionáveis encalhados nas prateleiras. Observação: Eu faço parte do mercado de colecionáveis, não preciso de relatórios fajutos para ver o óbvio.
Esse mesmo fenômeno de resistência do sistema se repete no atual escrutínio sobre a CazéTV. Esse 'patrulhamento' repentino disfarçado de preocupação social — vindo de pessoas que sequer entendiam o mercado de Direct-to-Consumer (D2C) ou de apostas esportivas — é o puro suco do oportunismo. O objetivo real? Tentar cancelar um ambiente que é neutro ao sistema e que não sofre o risco de represálias diretas das velhas coalizões de mídia.
Quando a Globo abriu mão de certos direitos digitais no passado, foi um claro movimento de usar canais independentes como laboratório de audiência (o famoso sandbox de mercado). O problema é que o experimento da CazéTV funcionou muito bem, entregando uma transmissão orgânica, fluida e altamente rentável. Agora, o sistema precisa criar uma contra-narrativa para deslegitimá-los. Dizem que há falta de técnica ou piadas sem graça? Ora, profissionais medíocres e formatos ultrapassados inundam a TV aberta há décadas, sob o manto de um rígido controle de narrativas políticas e corporativas. A CazéTV pegou um produto incerto e provou o poder da comunicação descentralizada e disruptiva. Sim, disruptiva de verdade, e eles merecem usar a palavra sem piadas e com muito e real respeito!
É irritante ver 'especialistas' e influenciadores que mal compreendem a arquitetura do ecossistema do YouTube ditando regras. A maioria apenas surfa a onda do momento, utilizando ferramentas de IA para replicar discursos pasteurizados assim que uma polêmica ganha tração. O LinkedIn virou o grande catalisador desse AI slop corporativo, alimentando o efeito manada e o cancelamento por conveniência, sem qualquer profundidade crítica.
Alguém aí se lembra do caso Monark? Independentemente dos erros cometidos, o fato é que o modelo de podcast dele incomodava justamente as estruturas que perderam o monopólio da influência de massa. Quem (ou qual canal) se beneficiava com o silenciamento daquela audiência? É uma questão de ligar os pontos e analisar os fluxos de poder (e quem é ligado em quem). Se após observar essa dinâmica você ainda não entendeu o que está em jogo, receio que seu cérebro já tenha sido pasteurizado pelo bombardeio da mídia seletiva.
Acordem. Os mesmos 'surfistas de opinião' que hoje apontam o dedo são os primeiros a apagar perfis e silenciar suas redes quando a corda estica para o lado deles. O público, com sua memória de curto prazo e alimentado por novos bodes expiatórios, simplesmente esquece. Mas o mecanismo de controle continua operando.
Você não acorda (ou não quer) e o sistema continua usando mecanismos de controle, mas operando de formas diferentes. T'Santos
Suce$$o para nós!
Por: Tiago MKT
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