Da série: Como fingir que estamos protegendo e empacotando vento em 4 temporadas.
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| Imagem criada por IA dentro da proposta do texto apresentado. |
É fascinante observar o malabarismo mental de quem defende a "taxa das blusinhas" sob o heróico pretexto de "proteger a indústria nacional". Proteger o quê, exatamente? A nossa vasta e pioneira produção de semicondutores e microchips do Vale do Silício Tupiniquim?
Sejamos honestos: nós não temos mercado de tecnologia nacional. Nós somos, no máximo, meros montadores de tecnologia alheia. Pegamos peças que cruzaram o oceano, parafusamos tudo em uma caixinha plástica e colamos um selo de "Fabricado no Brasil" para inflar o ego (e o preço). Nada disso é nosso, nada disso foi criado aqui.
Bloquear o acesso à tecnologia barata não estimula a inovação local; apenas garante que o prestador de serviço, o técnico e o pequeno varejista continuem na rabeira do desenvolvimento. Quer exemplos práticos desse "protecionismo" genial no dia a dia?
- O apagão da manutenção eletrônica: Um técnico precisa de um ferro de solda portátil de alta precisão (como o TS101 inteligente) para consertar celulares e placas. Na China, ele custa cerca de R$ 180,00. No Brasil, o mesmo item não sai por menos de R$ 500,00. Dizem que é para proteger a "indústria nacional" de ferros de solda... aquela que fabrica o mesmo ferro estúpido de tomada desde 1980, que queima a placa se você vacilar dois segundos.
- O custo de ser produtivo: Um pequeno empreendedor quer dar um upgrade na sua impressora 3D para produzir peças personalizadas mais rápido e compra um sensor de nivelamento (BLTouch). Na China, custa R$ 70,00. No mercado interno, cobram R$ 220,00. Nós não fabricamos a impressora e muito menos a peça de reposição, mas o brasileiro tem que pagar o triplo para proteger o mercado nacional de... absolutamente nada.
Compreende o absurdo de fazer o acesso a ferramentas básicas de trabalho custar uma fortuna em nome de uma "indústria" que só existe no PowerPoint do governo?
A verdade nua e crua é que o problema do Brasil nunca foi uma taxa isolada. É o ecossistema inteiro que foi desenhado para controlar e burocratizar, e não para criar valor.
Temos fretes estaduais que custam mais caro do que cruzar oceanos. Temos aberrações como o ICMS-ST, onde o fabricante paga antes e o consumidor paga de novo — uma bitributação criativa que desafia qualquer lógica econômica. Enquanto o mundo investiu em ferrovias, nós destruímos as nossas para nos render ao lobby do asfalto e da indústria automobilística.
A taxa de importação de até US$ 50 é só a pontinha do iceberg. O resto é um mar confuso de falta de logística, burocracia densa e uma dependência vergonhosa de importações.
Mas relaxe: enquanto os investidores fogem e o país empaca, o debate público continua focado em narrativa eleitoral para arrebanhar audiência para o próximo pleito. O importante é proteger o mercado de maquiagem de tecnologia, enquanto o futuro passa batido.
Observo que o atraso tecnológico e a ignorância coletiva só beneficiam um lado! T'Santos
E isso tudo é só o começo de um filme que, provavelmente, já sabemos o final.
Suce$$o para nós!
Por: Tiago MKT
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Artigo postado no LinkedIn: https://linkedin.com/pulse/o-grande-teatro-da-prote%C3%A7%C3%A3o-nacional-s%C3%A9rie-como-fingir-tiago-santos-euxvf/
