A Licença Poética para o Achismo em narrativas.
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| Imagem criada por IA e pensada por um humano disruptivo. |
Atualmente, a palavra mais usada para validar o limbo intelectual e carimbar ideias pautadas na mais desonesta licença poética, é a danada da "disruptiva". Virou moda. E pobre de quem não a usar ou não fingir que compreende a genialidade por trás de uma ideia vazia após suas pronuncia. Se o conceito é infundado, sem base técnica, mas embalado como "disruptivo", então ele é "top".
Etimologicamente, o termo vem do latim disruptus, particípio passado de disrumpĕre — romper, quebrar, despedaçar. Originalmente, indicava algo que causava a desestabilização real de um padrão ou mercado por meio de inovações radicais. No entanto, o termo virou a password oficial para disparar abobrinhas ao vento. São ideias que, de tão "diferentes", tendem a nunca funcionar. E quer saber? Se colocarmos no papel tudo o que deu errado nos últimos anos, garanto que o autor da falha defendeu o projeto, ao menos uma vez, como sendo algo "disruptivo". Pode procurar!
Não estou louco, apenas resolvi escrever sobre o óbvio. Falta bom senso. Vender narrativas fora do escopo é fácil; o problema é a prática, que não consegue rebater a fantasia. Tudo o que emerge desse mundo "disruptivo" precisa ser aceito, afagado e empurrado goela abaixo, custe o que custar. Basta usar a palavra mágica e você já tem meio caminho andado. Quem grita primeiro, claro, é o "disruptivo da rodada", criando um ciclo infinito de "disruptivismo" que ninguém consegue sequer... "disruptiar". Onde chegamos? Será que eu mesmo estou sendo disruptivo agora?
As reuniões nunca mais foram as mesmas. O disruptivismo tornou-se um jogo de UNO corporativo: quem joga a carta primeiro ganha o status de vencedor, enquanto os outros mergulham em uma inveja conspiratória, torcendo pela destruição daquele que se destaca, até que ele se "desdisruptivise" e permita que o próximo bobo da corte assuma o trono disruptivo.
Pense bem: a disrupção, por definição, deveria ser solitária. O primeiro sempre é o protagonista; quem vem depois é apenas um "bobo copião", um disruptivo falsificado que gritou "UNO!" segundos após o primeiro, sendo apenas uma cópia do "deus" da genialidade e vocabulário disruptivo da moda.
Dependendo da conveniência, o termo assume qualquer faceta: inovador, revolucionário, desestabilizador, perturbador ou apenas... desordeiro. Ser disruptivo tornou-se tanta coisa que, sinceramente, a palavra já está na fila para substituir divindades.
Quem "grita" um "disruptivo" na reunião torna-se o Deus daquele momento, ou estou louco? Estou vendo "The Office"?
Para. Já chega. Cansei de "disruptiar".
Até o próximo artigo — que poderá ser, talvez, apenas sensato.
Suce$$o para nós!
Por: Tiago MKT
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Artigo postado no LinkedIn: https://linkedin.com/pulse/o-evangelho-segundo-disrup%C3%A7%C3%A3o-licen%C3%A7a-po%C3%A9tica-para-achismo-santos-q2wwe
